BLOOD FEAST - E a América pariu o Gore…

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Foi capaz de transformar o orçamento dispendido de 24.500 dólares numa facturação de 4.000.000 dólares só nos EUA (mais de 160 vezes o valor investido), o que só por si dá uma boa ideia do sucesso que atingiu.
Mas convém não sermos enganados… O filme é tecnicamente muito mau.
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Não tem enredo nem estória, apenas uma série de acontecimentos que tentam estabelecer uma linha narrativa tão complexa quanto uma conta de somar e cujo principal objectivo é, mais do que justificar as cenas de derramamento de sangue, preencher o espaço entre elas.

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Por tal, este filme tornou-se um marco incontornável na história do cinema, tendo representado para a exibição da violência aquilo que mais tarde o Garganta Funda representou para o sexo, implicando o seu banimento na RFA e no Reino Unido (neste até 2001) e a actual classificação para maiores de 18 anos que lhe está associada num grande número de países.

Assim, o uso de imagens explícitas de violência é actualmente apenas uma ferramenta entre outras na construção de um filme, sendo o seu bom uso aceite como normal ou até essencial, permitindo a criação de cenas de grande intensidade e/ou divertimento.
E tirando isso?
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Tirando isso não resta grande coisa… Foi filmado em 9 (nove) dias e os actores são todos eles carentes do mínimo de credibilidade exigível e de quaisquer dotes interpretativos. Um deles, Scott Hall que faz o papel do polícia William Kerwin, era apresentador de circo e foi convencido pelo produtor David Friedman a aceitar esse papel na falta do actor previamente escolhido, poucos dias antes do início da rodagem. Verificando-se incapaz de interpretar e decorar deixas passa o filme a ler da palma da mão e a gritar bem alto (conforme foi instruído pelo produtor, que lhe terá dito que se não sabia representar, que gritasse).
E tirando isso?
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Tirando isso não resta grande coisa… Foi filmado em 9 (nove) dias e os actores são todos eles carentes do mínimo de credibilidade exigível e de quaisquer dotes interpretativos. Um deles, Scott Hall que faz o papel do polícia William Kerwin, era apresentador de circo e foi convencido pelo produtor David Friedman a aceitar esse papel na falta do actor previamente escolhido, poucos dias antes do início da rodagem. Verificando-se incapaz de interpretar e decorar deixas passa o filme a ler da palma da mão e a gritar bem alto (conforme foi instruído pelo produtor, que lhe terá dito que se não sabia representar, que gritasse).
A banda sonora, da inteira responsabilidade do realizador é lamentável; a câmara está quase permanentemente fixa, bem como os actores que deslocam tanto quanto peças de mobiliário pregadas ao chão; os cenários são paupérrimos...
...mas por isto mesmo é que o filme é tão singular, tão divertido e tão leve - em suma, tão entretenedor.
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A estória, bem… da estória já foi dito qualquer coisa, mas resta acrescentar que no filme a personagem principal é um caterer de origem egípcia que (ab)usa (de) uma encomenda para fornecer a paparoca para uma festa por forma a levar a cabo um ritual dedicado a uma deusa de nome Ishtar, tendo em vista ressuscitá-la.

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Conclusão:
Este filme poderia ser, atento o conjunto das suas características, uma homenagem/paródia sanguinária ao trabalho do Ed. Wood Jr.… mas não é…
É sim um ligeiro e despretensioso pedaço de história de cinema, que proporciona quer ao apreciador, quer ao curioso interessado, um pouco mais de uma hora de diversão em que a ausência de qualidade geral é directamente proporcional à grandeza da relevância histórica.
8 Comments:
Pela 2ª vez não fui capaz de publicar o post na data designada para publicação, quinta-feira... Tal deve-se ao facto de estar sem net em casa.
Peço desculpa.
Uma vez que estou a fazer os posts no trabalho, à hora de almoço, e aqui não consigo ver videos, agradecia que se alguém se apercebesse que algo não está bem com os que tenho publicado, me avisasse, p.f.
eh eh eh eh Gosto sempre de umas boas 'tripas', mas comigo (e, se calhar, com a generalidade dos espectadores de cinema) o terror menos gráfico e mais psicológico funciona sempre melhor.
Olha, era um bom título kitsch para este post: 'Tripas à moda de Hollywood'! lol
É de facto um excelente título... :)
Comigo o ideal é um bom mix, nas quantidades certas de terror psicológico e gráfico... com mais do primeiro que do último, também...
O que é interessante hoje em dia em muito cinema é o uso de uma forte componente gráfica de violência em géneros que não o terror...
talvez por isso, actualmente, este tipo de violência neste tipo concreto de filmes acaba por ser mais divertido do que terrífico...
por outro lado, o uso, se bem que pouco extenso, mas muito intenso, de imagens explícitas de violência em filmes doutros géneros traz-lhes uma intensidade e uma carga muito interessante...
Gostei de conhecer o teu blog: parece-me ser um projecto com um excelente futuro :)!
Quanto ao filme em questão...já tinha visto imagens dele, mas nunca tinha visto um trailer. Como tal, só te tenho a agradecer por esta oportunidade. Bom trabalho!
Também tenho um blog. Passa por lá sempre que quiseres :).
Cumprimentos
Eu quero muito ver este filme, mas sofro do mesmo problema que tu: falta-me internet!
Como estou em mudanças, vou ficar sem internet este mês e parte do próximo, o que me levou a criar uma data de posts de reserva (um velho hábito meu) para ir alimentando o meu blog. É que nunca se sabe, uma pessoa compromete-se a si mesma e depois quando falha é aborrecido.
Amigo, vi este filme hoje...e realmente ele é muito ruim. Vale apenas como "documento histórico"....
Comprei, na Amazon, a caixa do HG Lewis, lançada pela something weird. Pouca coisa se aproveita, mas, diga-se, o título homônimo é divertidíssimo: um mix de imagens psicodélicas com horror de brachola. Well, por que não visita meu blog? Congratulations.
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